Governador do Banco Nacional de Angola defende limitações na venda de divisas

O governador do Banco Nacional de Angola defendeu que o leilão de divisas ao sistema financeiro do país pelo banco central devia ser feito apenas em “situação de crise” e de “forma muito prudente”.

O governador do Banco Nacional de Angola defendeu, esta sexta-feira, que o leilão de divisas ao sistema financeiro do país pelo banco central devia ser feito apenas em “situação de crise” e de “forma muito prudente”.

A posição foi assumida por Valter Filipe no encerramento do VII Fórum Banca sobre Regulação e Supervisão Bancária, promovido pelo semanário angolano Expansão, tendo o gestor referido que quando Angola entrou para a economia de mercado deveria ter dado robustez e liquidez à banca inicial, conferindo melhor estabilidade e controlando o nível de preços e a taxa de inflação.

“Nós hoje, para criarmos melhor estabilidade, para controlarmos o nível geral de preços e a taxa de inflação, disponibilizamos pela via do banco central divisas para a banca comercial”, explicou.

Para o governador do banco central angolano, o país não pode continuar a disponibilizar divisas de forma regular, permanente e constante ao sistema financeiro, por via das suas reservas líquidas internacionais, por estar assim o Estado “a financiar de uma forma barata o sistema financeiro, as empresas e aquelas pessoas que têm acesso às divisas”.

Este mecanismo cria injustiça social, desequilíbrio social, faz com que tenhamos uma economia de importação, porque facilitamos os mecanismos de importação, facilitamos a estrutura de custo da importação e criamos uma economia vocacionada para a importação, é esse o contexto que hoje nós estamos”, frisou.

Valter Filipe salientou que uma economia vocacionada para a importação, cuja estrutura de custo é mais barata por essa via, define para o país “um modelo económico dependente das divisas e de um único recurso, e para a felicidade dos angolanos, era o preço do barril do petróleo”.

De acordo com o governador do BNA, o sistema financeiro deve ser “um instrumento para a inclusão, para a justiça social, para o combate à corrupção, ao favoritismo de uns e de outros”.

“Isto digo, porque em economia de mercado, se não existir crédito pessoal, se não existir crédito à habitação, se não existir crédito automóvel, se não existir crédito às pessoas, há corrupção”, enunciou.

“Esta é a lógica do capitalismo e se nós queremos prosperidade para todos temos que combater a injustiça social e o combate à injustiça social em economia de mercado faz-se pela via do sistema bancário, da negociação de crédito, da regulação, da supervisão, do combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo, pela via da boa gestão, da ética, de estarmos todos ao serviço do povo e da prosperidade das famílias”, acrescentou.

Para o governador, Angola tem que caminhar para uma política monetária e cambial focada na agricultura, na produção e competitividade nacionais.

“Por isso entendemos que do ponto de vista dos agregados monetários, dado que temos limitações do seu uso, devemos caminhar para uma maior flexibilidade dos agregados monetários, para definirmos e fazer uma melhor indicação da nossa política monetária”, disse.

Relativamente à política cambial, Valter Filipe defendeu que deve continuar a disponibilizar divisas para o mercado, “não de forma muito administrativa como está a ser feito – dando-se maior disponibilidade para o sistema bancário -, mas olhando para o plano de negócios e de crédito dos bancos comerciais”, com garantias de que a prioridade é o setor da agricultura.

Publicação da autoria de Fonte Externa:
Observador
07/07/2017, 17:49

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