Activo dos maiores bancos do sistema mantém-se atrelado à dívida pública

A carteira de títulos e valores mobiliários ainda é a rubrica mais significativa no activo dos quatro maiores bancos do sistema com uma média de, aproximada- mente, 42,7%, apurou o Vanguarda, na informação financeira divulgada no terceiro trimestre de 2018.

Os dados observados permitem concluir que as principais instituições bancárias (BAI, BFA, BMA e BIC) permanecem voltadas para a dívida pública, à semelhança dos anos anteriores, como deu a conhecer o Executivo, no Plano de Estabilização Macroeconómica (PEM 2017- 2018), após o diagnóstico feito ao sistema bancário.

Face ainda à informação financeira consultada, a dívida pública também será o principal factor de rendibilidade dos bancos no exercício 2018, em detrimento da intermediação financeira, como aconteceu nos últimos anos. Segundo o resultado da análise feita ao sistema bancário, apresentado no PEM, em Dezembro de 2016 representou 30%.

Os dados observados também permitem aferir que os títulos e valores mobiliários foram decisivos para o crescimento no activo das instituições bancárias em 2018.

Aliás, como aconteceu nos últimos cinco anos. O PEM 2017-2018 espelha que em 2016 o activo da banca aumentou 21%, face às aplicações feitas em títulos na dívida pública.

Ainda em função da informação financeira consultada (balancetes do terceiro trimestre de 2018) foi possível concluir que a média do rácio de transformação dos quatro maiores bancos do sistema bancário angolano fixou-se em cerca de 46,8%. A taxa indicia a existência de oportunidades para aumentar o crédito, principalmente à economia.

Apesar de nunca se ter feito um estudo para fixar o rácio de transformação de depósitos em crédito ideal, Rafael Simões defende que por uma questão de “bom senso” os bancos comerciais podem chegar a 65% – 70% e em casos extremos a 95%; “torna-se preocupante para um banco, na eventualidade de ultrapassar os 100% ou 120%”.

Embora com um baixo rácio de transformação os bancos estão longe de gerar rentabilidade, o volume de crédito concedido jamais deverá ser superior ao das poupanças captadas de clientes para garantir a estabilidade dos mesmos. “Se este aspecto for ignorado pode pôr em causa a existência de um banco. Basta ver o BPC”.

“Os bancos comerciais em Angola são conservadores relativamente à concessão de crédito, quer seja à economia ou à família. Optam em financiar projectos com taxas de juros elevadas e ris- co nulo, que são os títulos da dívida pública”, assinalou Emmanuel Domingos, economista que advoga a intervenção do Estado para a mudança.

O rácio de transformação do sector , no fim de 2017, foi de 51%, segundo o PEM 2017 -2018 que objectiva restaurar a estabilidade e sustentabilidade da economia. Pelo resultado, o Executivo também chegou à conclusão de que a banca estava em condições para aumentar o crédito à economia, a fim de alavancar o empresariado.

O Banco de Fomento Angola (BFA) detinha a maior carteira de Títulos e Valores Mobiliários, estava avaliada em cerca de 832,3 mil milhões Kz, representando 49,6% do activo, que valia perto de 1,7 biliões Kz. Até ao terceiro trimestre de 2018, o resultado líquido era de, aproximadamente, 150,7 mil milhões, o mais rentável nos quatro tri- mestres.

O Banco Angolano de Investimentos (BAI) foi o segundo maior credor do Estado. A carteira de Títulos e Valores Mobiliários estava calculada em cerca de 722,5 mil milhões Kz, um peso de aroximadamente, 36% do activo que até ao período referido era de cerca de 2 biliões Kz, o maior no sistema bancário nacional (SBA), no segmento privado.

No supracitado período, o BAI tinha um resultado líquido (lucro) calculado em cerca de 91,3 mil milhões Kz. Foi o segundo banco mais rentável no SBA, depois do BFA.

A dívida pública no BIC foi de 648,4 mil milhões Kz, equivalente a quase 51% do activo, avaliado em, aproximadamente, 1,3 biliões Kz. O resultado líquido do período foi cerca de 38,6 mil milhões Kz. O banco de Fernando Teles segue os dois supracitados bancos. Os Títulos e Valores Mobiliários estavam calculados em 514,2 mil milhões Kz, aproximadamente a 37% do activo, até ao terceiro trimestre de 2018 estava perto de 1,4 biliões Kz, tendo o resulta- do líquido do BMA, no exercício em causa, sido de 19,9 mil milhões Kz.

Publicação da autoria de Fonte Externa:
AngoNotícias/Vanguarda
10/01/2019

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