2019 promete ser um ano de alguma retoma para o mercado imobiliário”, perspectiva especialista

Depois da publicação do estudo FLASH MERCADO IMOBILIÁRIO Angola 2018-2019, o director da Prime Yield Angola, Valdire Coelho, em exclusivo ao Mercado, observa que continua a se fazer sentir a falta de dinamismo do sector, que regista uma quebra de cerca de 15%, fruto da dificuldade da economia em recuperar, mas acredita numa forte recuperação do mercado no corrente ano.

Como avalia o sector imobiliário, no momento?

Continua a fazer-se sentir a falta de dinamismo do sector, fruto da dificuldade da economia em recuperar. O sector é assim impactado pela actual conjuntura, caracterizada por juros elevados, dificuldade no financiamento e instabilidade cambial, com um reflexo claro no desequilíbrio entre a oferta e a procura e na consequente pressão em baixa de preços e rendas. Ou seja, nos diferentes segmentos, com esta conjuntura, a procura está menos dinâmica, ao passo que a oferta se mantém em níveis acima da capacidade de absorção, o que gera um ritmo lento de escoamento de produto, com reflexo nos preços e rendas, que continuam a decrescer. Paralelamente, verifica-se uma redução generalizada do investimento e o adiamento de novos projectos.

Ainda assim vale apena investir no sector?

Os imóveis continuam a ser considerados um investimento seguro e bastante atractivo face à desvalorização cambial. É de frisar que, mesmo num cenário de adversidade económica, o imobiliário terá sempre uma base sólida. Por isso, mesmo no contexto actual, é visto como um investimento de protecção e de baixo risco, sobretudo para quem pretende aplicar as suas poupanças num cenário de elevada desvalorização cambial que afecta outras classes de activos de investimento. A par disso, 2019 já promete ser um ano de alguma retoma para o mercado imobiliário, pois não só a economia está a dar sinais de melhoria, como se deram alguns passos de relevo para estimular o investimento externo, nomeadamente a alteração na lei do investimento privado. Acresce ainda que o mercado imobiliário se mantém como um sector onde existe um enorme potencial de desenvolvimento, pois continua a existir deficit de habitação e necessidade de diversificar geograficamente nas áreas de turismo e retalho, entre outras carências. Este potencial tem estado em stand by nos últimos anos, mas existe e, com certeza, vai voltar a evidenciar-se à medida que o crescimento económico se consolide.

Qual a queda percentual que o sector regista?

Em 2018, conforme refere o estudo, fala-se de retracções quase nunca superiores a 15% nos indicadores de preços e rendas. Depende dos tipos de imóveis e dos segmentos. Em termos de procura não avançaria com uma quantificação e a grande nota deve ser a de desaceleração no ritmo de queda. Não obstante, continuarmos a falar de um mercado que ainda está em contracção, em particular nos escritórios e habitação.

Como se pode alterar o quadro?

A questão do crédito é fundamental, pois é um caminho crucial para a dinamização da aquisição/investimento em imóveis. Assim, tudo o que forem medidas de forma a facilitar a concessão de crédito (proporcionando assim um maior acesso dos potenciais compradores aos imóveis) iriam trazer um novo dinamismo ao sector, mas ao mesmo tempo é necessário também implementar medidas para mitigar o risco de incumprimento de dívida.

Há muitas casas devolutas nos condomínios de Luanda…

Existe uma taxa de desocupação significativa, que resulta essencialmente de dois fenómenos: Por um lado, os proprietários têm alguma resistência em vender (e por vezes arrendar) os imóveis aos valores actuais de mercado, e por outro lado, mesmo havendo um preço ajustado, os potenciais compradores deparam-se com a dificuldade em aceder ao crédito para aquisição de imóveis.

Quais são as zonas mais apetecíveis para comprar casas?

A aquisição de uma casa para habitação, não é apenas uma decisão financeira, outros factores como família, trabalho, zona em que se insere, etc. têm um peso significativo, pelo que a “zona mais apetecível” varia consoante as circunstâncias pessoais, por esse, motivo é fundamental estar bem informado para tomar as melhores decisões.

Que tipo de residências é procurado?

Com a retracção económica e, consequente diminuição (significativa) do número de expatriados, a procura por tipologias de menor dimensão (T0/T1/T2) registou uma queda também expressiva. Assim, e numa fase em que a procura doméstica é o principal motor deste segmento, a procura direciona-se sobretudo para tipologias de maior dimensão (T3/T4).

E os preços?

No contexto do segmento apenas de habitação premium, os valores unitários em Luanda variam em média entre os 4.000 USD/m2 e 5.200 USD/m2 e em Luanda Sul variam entre 3.000 USD/m2 a 4.500 USD/m2.

Hoje é mais vantajoso arrendar do que comprar um imóvel?

A questão actualmente não é tanto o ser mais ou menos vantajoso, mas sim qual destas opções garante de forma mais equilibrada (e facilitada) o acesso à habitação. Ambos têm vantagens e desvantagens, em termos de flexibilidade, de custo, de mobilidade, de

rentabilidade. De realçar, contudo, que foram dados passos importantes com introdução da lei do arrendamento urbano que veio regulamentar e dar maior segurança na relação Senhorio/Inquilino.

O estudo revela que mercado de escritórios registou uma “absorção contida” …

Os escritórios são o segmento que tem apresentado menor dinamismo, até porque são aqueles que, de forma mais imediata, reflectem o impacto do comportamento da economia. A quebra no investimento internacional afastou muitas empresas (ou fê-las redimensionar as suas operações), além da menor confiança do tecido empresarial nacional, com um impacto negativo na absorção. Assim, mantém-se a tendência de decréscimo nos valores tanto de venda como de renda, esta última reflectindo tal decréscimo de forma mais expressiva, pois é um segmento onde tem havido maior flexibilidade negocial, como forma de rentabilizar os activos minimizar as perdas. De destacar, contudo, que o CBD continua a apresentar alguma resistência em ajustar os preços de venda (descida de apenas 2%), embora nas rendas se verifique uma descida de 16%. E importa também realçar que o mercado de ocupação já começou a dar alguns sinais de maior dinamismo no final de 2018.

E o segmento residencial?

No segmento residencial, os compradores domésticos mantiveram-se como o público mais activo, depois de anos em que os expatriados foram o principal motor de procura residencial. Este último grupo continua em retracção, mas também a procura nacional abrandou ligeiramente face ao ano anterior, sobretudo por dificuldades no acesso ao crédito à habitação. Deste modo, e como é a tendência geral do sector, também nestem segmento os valores continuam a descer. Assim, os preços médios na habitação premium continuaram a descer quer nos apartamentos T3 em Ingombota (-6%) quer nas moradias V3 em Talatona (-3%), embora de forma suave.

Publicação da autoria de Fonte Externa:
Mercado
27/05/2019

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.