Moeda nacional está a desvalorizar de forma acelerada porque BNA acabou com limites de variação cambial

A moeda nacional está a desvalorizar de forma acelerada há cerca de um mês porque o Banco Nacional de Angola (BNA), sem anunciar essa medida publicamente, acabou com a regra que limitava a oscilação do Kwanza a 2% nos leilões periódicos de moeda estrangeira que realiza junto dos bancos comerciais.

A informação foi avançada pela agência Bloomberg que confirmou a nova realidade junto do BNA, o que torna mais fácil perceber a enorme oscilação que a moeda nacional sofreu nas últimas três semanas, no câmbio oficial, reflectindo-se isso mesmo no câmbio informal, onde o Euro já vale 660 kwanzas em média e o dólar está a ser vendido a uma média de 620 kwanzas, os valores mais altos de sempre.

Recorde-se que o Kwanza já desvalorizou, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) preconiza há vários anos, o dobro daquilo que valia no início de Janeiro de 2018 em relação ao dólar norte-americano e à moeda única europeia, o Euro, passando em 22 meses, de 185 Akz/1 Euro e 165 Akz/1 USD para os actuais 508 Akz por cada Euro e 456 Akz por cada dólar.

O limite de oscilação do câmbio de 2% foi efectivado pelo BNA pouco depois de ter entrado em vigor a banda de oscilação – cujo limite não era conhecido publicamente – , a 02 de Janeiro de 2018, para impedir que a moeda nacional sofresse oscilações em baixa muito violentas.

Agora, com o fim desse limite, o Kwanza tenderá a sofrer desvalorizações diárias mais acentuadas, como se tem visto suceder nas últimas duas semanas, período durante o qual tanto o Euro como o dólar valorizaram cerca de 18% face à moeda angolana.

Como nota a Bloomberg, a moeda angolana, desde o início do ano, já caiu 32% e desde 01 de Outubro mais de 18%, significando isso que se trata do pior desempenho entre as 140 moedas monitorizadas por esta agência de notícias especializada em informação económica e financeira.

Num momento de crescente movimento de críticas à política cambial, o BNA vai realizar na quarta-feira uma sessão extraordinária do seu Comité de Política Monetária para discutir os indicadores dos mercados monetário e cambial.

Isto, porque se mostrou “necessária a adequação das medidas e instrumentos de política monetária e cambial” ao novo cenário.

Recorde.se que a desvalorização substancial da moeda é uma das exigências do pacote de medidas de austeridade que acompanham o Programa de Financiamento Ampliado do FMI que permitiu ao país obter um empréstimo de 3,7 mil milhões de dólares em Dezembro de 2018.

O objectivo da desvalorixzação é, segundo o FMI, aproximar os câmbios entre o formal e o informal porque o actual fosso entre um e outro gera uma insustentável procura de moeda estrangeira, aconselhando fortemente o Governo de João Lourenço, numa posição assumida há três meses, a extinguir as restrições à evolução da moeda em função das regras de mercado.

Publicação da autoria de Fonte Externa:
ANGONOTÍCIAS/NJ
23/10/2019

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